Crítica | Verónica

Madrid, década de 1990. Verónica, uma jovem bonita e alegre de 15 anos, passa seus dias se revezando entre os cuidados de três irmãos mais novos e as brincadeiras com seus amigos adolescentes, já que sua mãe viúva (Tese ‘Ana Torrent) trabalha por longas horas diariamente. O que ela não imagina é que, após participar de um Ouija encontrado em sua escola, sua vida passará a ser terrivelmente atormentada.

Um dos primeiros aspectos que podemos reparar no filme, é que toda atuação, as tarefas e  a coisas que acontecem são extremamente realísticas e muito próximas do cotidiano de pessoas comuns, o que faz o filme parecer bem real, envolvente e suave.

No caso de Verónica, o interessante é a relação estabelecida pelo filme de Paco Plaza (conhecido pela franquia espanhola REC) entre ingenuidade da sua protagonista e a credulidade do público. Baseado no relatório de polícia de Madri sobre um caso ocorrido em 1991, o diretor usa e desconstrói todos os clichês do gênero para que a história de Verónica seja sempre questionável.

“Verónica” possui um enredo muito bem elaborado, mantendo o suspense e o mistério pela maior parte das cenas.  O filme cumpre com todas as suas promessas. Plaza prova que o verdadeiro terror nasce quando o susto não é um objetivo, mas uma consequência. Tendo o desenvolvimento um pouco lento, e talvez até mesmo com pouco conteúdo. Mas o motivo real de valer a pena assistir é mesmo devido a realidade dos fatos. Apesar de ser um filme que “explora” o sobrenatural, ele não foge muito do que podemos dizer talvez ser a realidade e acabar tocando a dúvida.

Agora uma coisa que conseguiu me incomodar de uma forma enorme foi a dublagem, a maioria das vozes parecem que estão erradas, parecem que não combinam com o personagem… Não é nada que afete muito, mas impactou bastante no início, parecendo uma dublagem dos anos 90, apesar de me acostumar ao decorrer que o filme avançava.

Não podemos negar que o roteiro escrito por Plaza e Fernando Navarro faz o mais importante: constrói bem seus personagens. O peso do desespero de Verónica é somado aos poucos, conforme o filme revela a rotina da menina de 15 anos. Depois da morte do pai, a mãe precisa assumir o trabalho no bar da família e passa a ser responsabilidade de Verónica cuidar da rotina dos irmãos – acordá-los, alimentá-los, levá-los para escola, cuidar das suas tarefas, da sua higiene, de tudo. Quando chega a hora do misterioso evento anunciado no início do filme, o público torce por ela, pelas crianças e é aí que está o segredo de um bom horror: temer pela vida dos personagens.

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