O que aconteceu em Amityville?

A casa mais assombrada dos Estados Unidos permanece sendo questionada até hoje.

Em setembro de 1977, o escritor norte-americano Jay Anson (1921 – 1980) publicou seu livro The Amityville Horror (Horror em Amityville), alegando que todo seu material fora baseado em fatos reais. Nele, Anson apresenta o drama sobrenatural da família Lutz, que se muda para uma casa onde anteriormente aconteceu um crime brutal. Os Lutz, no entanto, se deparam com atividades paranormais que só pioram com o passar dos dias.

Foi em 1979 que o primeiro filme, inspirado no livro, chegou aos cinemas, introduzindo ao público todo o período dos Lutz na casa mal assombrada mais famosa dos EUA (que chegou a ser visitada até pelos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren) e logo após acabou rendendo uma franquia com sequências infiéis ao que realmente poderia ter acontecido. O livro, como o filme e até a história supostamente real dividem opiniões até então, onde uma boa parte acredita que os Lutz inventaram toda essa trama demoníaca por cima dos assassinatos ocorridos antes de se mudarem para a casa apenas por fama e dinheiro, enquanto outros menos céticos crêem que, de fato, há uma força sobrenatural que atua na casa e tentou destrui-los, como também tal força poderia ter influenciado os crimes que lá ocorreram. Porém, até hoje, não se sabe a verdade sobre o que aconteceu em Amiityville.

A famosa casa mal assombrada da Ocean Avenue.

Localizada em Amityville, no estado de Nova York, a famosa residência do número 112 da Ocean Avenue parecia perfeita para abrigar uma família grande: três andares, duas salas, quatro quartos, três banheiros e até uma casa de barco no enorme quintal. E abrigou, sim, uma família composta por sete integrantes: os Defeo.

Os irmãos Defeo.

Na madrugada do dia 13 de novembro de 1974, Ronald “Butch” Defeo Jr (23) entrou descontroladamente no Henry’s Bar, perto de sua casa, pedindo por ajuda e alegando que atiraram em seus pais. As pessoas que estavam no bar o acompanharam de volta até sua casa e, ao chegarem lá, se depararam com seis pessoas mortas à tiros, todas viradas de bruços em suas camas. Os mortos eram os demais integrantes da família Defeo: Ronald (43) e Louise Defeo (42), os pais de Ronald; e seus quatro irmãos mais novos: Dawn (18), Allison (13), Marc (12) e John (9). Curiosamente, os vizinhos não ouviram os sons dos tiros e nem mesmo alguém da família chegou a se levantar enquanto no outro quarto alguém estava sendo baleado.

A noite do crime.

Interrogado por horas, Ronald inicialmente alegou que a máfia estaria envolvida no assassinato de sua família, porém, já encurralado e com a polícia encontrando inconsistências em sua versão, acabou confessando ter sido o autor do crime um dia após. Durante o julgamento, Ronald afirmou ter sido motivado por uma voz que o induzia a matar sua família inteira, mas quando olhava ao redor, não via ninguém junto a ele. Achou que fosse até mesmo Deus lhe falando. Mas ele sempre acordava por volta das 3:15 da manhã com a mesma voz dizendo para que ele cometesse os crimes. Ronald foi condenado a seis penas de prisão perpétua na Penitenciária Greenhaven, em Nova York. Em seu julgamento, foram apresentados argumento em que implicavam insanidade, consumo de drogas como heroína e LSD, as quais ele realmente fazia uso, e personalidade antissocial.

Ronald “Butch” Defeo Jr.

Em 1975, George e Kathy Lutz mudaram-se para a casa do número 112 na Ocean Avenue com seus três filhos pequenos: Daniel (9), Christopher (7) e Missy (5). A família, após 28 dias, saíram ás pressas da casa, afirmando que era assombrada.

Os Lutz.

Os Lutz contam, assim como também pode ser lido no livro de Anson e visto na adaptação para o cinema, que o primeiro fenômeno paranormal aconteceu quando pediram para que um padre fosse benzer a casa logo quando eles estavam realizando a mudança. Enquanto benzia e andava pela casa, o padre disse ter ouvido uma voz masculina de tom maligno pedindo para que ele saísse dali. Ao sair, seu carro apresentou problemas: a porta do passageiro se abriu, o capô levantou violentamente, os limpadores de vidro começaram a funcionar sem que acionados e o carro atolou-se.

Não demorou muito para que outros fenômenos acontecessem na casa. Os crucifixos viravam de cabeça para baixo, janelas e portas abriam e fechavam abruptamente, enxames de moscas surgiam por diversas vezes sem algum motivo, vasos sanitários escureciam e escorria pelas fechaduras das portas e pelos tetos algum tipo de líquido esverdeado. George, inclusive, encontrou um cômodo secreto no porão que nem aparecia nas plantas da casa: um quarto pintado de vermelho que cheirava a sangue e ovos podres. Kathy, por outro lado, sentia mãos invisíveis a agarrando e que em uma manhã, acordou com manchas em seu corpo como se tivesse sido queimada por ferro quente.

Imagem feita pela equipe de Ed e Lorraine Warren de uma suposta aparição durante a investigação.

A família também se deparava com aparições na casa. George já chegou a ver um rosto na parede que lembrasse ao de Ronald “Butch” Defeo. Uma figura de capuz branco ferida à bala assombrava a sala de estar e um porco gigante com olhos vermelhos aparecia do lado de fora das janelas espiando o que acontecia dentro da casa. Missy, a mais nova, dizia que o porco era seu amigo, a quem chamava de Jodie.

O casal também passou por mudanças de humor constantes, principalmente George, que ficara mais bruto com o tempo. Ele reclamava do frio que fazia na casa e isolava-se no porão, além de sempre acordar às 3:15 da manhã sem motivo algum. Em 28 dias, completamente perturbados pelas atividades sobrenaturais que preenchiam a casa, os Lutz saíram de lá sem olhar para trás, deixando até mesmo seus pertences na residência.

Após isso, o casal entrou em contato com o escritor Jay Anson, que aceitou documentar por escrito o que teria acontecido no tempo em que a família esteve na casa. Lançado em 1977, o livro, intitulado como The Amityville Horror, tornou-se best-seller nacional, com milhões de cópias vendidas. Ronald Defeo, entretanto, contestou a versão dos Lutz alegando que a história contada seria uma farsa em troca de dinheiro e que teria começado quando ele ainda estava em julgamento.

The Amityville Horror, por Jay Anson.

Há outras lendas que cercam a casa. Uma delas diz que um homem chamado John Ketchum construiu sua casa no local onde mais tarde seria construída a casa de Amityville. Fugido de Salem durante os tempos em que os julgamentos por bruxaria ainda aconteciam, ele usou da nova moradia para continuar suas práticas de adoração ao diabo. Contam que, com tais cultos, Ketchum teria aberto um “portal do inferno”, onde demônios ficariam livres em atravessar para o nosso mundo. Outra lenda envolve a existência de uma tribo indígena no local onde se tornou a cidade de Amityville. Contam que no local em que a casa foi construída havia uma espécie de isolamento onde membros da tribo que ficavam doentes eram mantidos lá até que morressem.

Há muitas contradições que põem em dúvida a credibilidade de toda trama sobrenatural que envolve a residência. Enquanto muitos acreditam na influência maligna que motivou Defeo a cometer os crimes e que desde então assombra o local, outros dizem que não passa de uma encenação por cima do crime acontecido em 1974. Alguns vizinhos afirmam que os Lutz não duraram nem dez dias na casa, enquanto o livro conta que foram 28 dias. Há quem alegue que Defeo foi convencido por seu advogado a dizer que ouvia vozes para implicar insanidade mental, entre muitos outros rumores que apontam o porquê de tudo não passar de mera jogada por lucro e fama desnecessária. A casa chegou a ser vendida e comprada por outras pessoas que, segundo elas, não presenciaram nenhuma atividade sobrenatural. Não há uma evidência concreta do possível mal que habita o local, o único fato, no entanto, é que ali ocorreu um crime brutal e ninguém pode afirmar de modo que convença cem por cento uma influência diabólica na Ocean Avenue. O caso, por completo, permanece sendo um mistério.

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