Entrevista com a escritora A.C Nunes

Veja agora a entrevista com a escritora A.C Nunes, a nova parceria do Mistérios Literários!

 

Quando percebeu que gostaria de ser escritora?

Sempre gostei muito da escrita. Na escola, me lembro de que minha matéria favorita era Língua Portuguesa e que eu adorava as redações, resenhas críticas, produção de texto. Acredito que foi algo muito natural de mim e que intensificou com o tempo. Eu escrevia muitos poeminhas e versinhos típicos da minha idade na época, e depois quando tomei gosto pela leitura, minha mente começou a projetar histórias mais complexas. Mas só com 17 anos que resolvi colocar as ideias no papel e escrever meu primeiro livro, que eu só terminei cinco anos depois por vários motivos. Por isso, não acredito que exista uma época certa que eu parei e pensei “quero ser escritora”. Esse desejo sempre esteve dentro de mim. Eu só o descobri anos mais tarde.

De onde vêm os personagens? De alguma forma se relacionam com alguém que conhece?

Sim. Três personagens do meu primeiro livro (Edson Nogueira, Hudson Cavalcanti e Gabriela Cavalcanti) foram inspirados em pessoas reais, que tem um significado muito importante na minha vida. Foi um modo de homenageá-los e de demostrar um pouquinho da importância que eles têm pra mim. Mas eu tenho personagens que surgiram de jogo de RPG, e eu acabei apenas adaptando a história do RPG para o livro. Assim como eu tenho um personagem que foi homenagem a outro personagem que marcou minha adolescência.

Qual o seu livro e autor favorito? Guia-se por eles na escrita dos seus livros?

Eu tenho dois livros favoritos, na verdade, e seus autores são os meus favoritos também. O Símbolo Perdido, do Dan Brown, que eu acho um escritor incrivelmente maravilhoso; e Filhos do Éden 2: Anjos da Morte, do Eduardo Spohr, que pra mim é o melhor escritor do Brasil no gênero de literatura fantástica.
Nos romances em que me exigem ter uma escrita como a deles, sim, eu me espelho bastante. Acho incrível como os dois conseguem prender a atenção do leitor e te instigam a não largar o livro. No meu primeiro livro, que é uma mistura de ação e suspense, eu procurei manter esse estilo deles, de segurar um pouco a história e soltar as informações pouco a pouco, prender o leitor, instigá-lo e surpreendê-lo com um final inesperado.

Já alguma vez passou por alguém que estava com um livro seu?

Ainda não tive esse prazer, mas já encontrei com uma leitora que me parou na rua pra me dizer que ela e a amiga leram o livro e adoraram. Ficamos um tempão conversando, e ela me contando muito alegre da experiência de ter lido meu livro.
Atualmente, cada vez é mais difícil publicar um livro, principalmente devido a motivos financeiros.

Qual foi a sua maior dificuldade na publicação do seu primeiro livro?

Acho que foi mesmo a parte financeira. Encontrei uma editora que aceitou publicar o livro, mas não deu mais nenhum tipo de apoio e cobrou por alguns serviços por fora, como revisão, publicação em e-book etc. Mas a revisão era de um preço absurdo, e na época eu trabalhava eventualmente apenas. Encontrei um revisor que barateou a revisão e ainda facilitou o pagamento (rs). Também tive que dar um sinal pra editora, e foi todo o meu pagamento do mês. Mas foi aquilo, eu fiquei muito eufórica com a ideia de publicar o livro e acabei metendo os pés pelas mãos. Hoje eu já analisaria com mais calma e menos emoção a proposta de uma editora ou até mesmo a publicação independente.

Enquanto está a escrever, partilha a história com alguém para pedir conselhos?

Eu fiz isso com o primeiro livro. Mandei alguns capítulos para algumas amigas, foi uma experiência bacana. Hoje já não faço mais, não sei por que exatamente, só não faço. Mas se eu sentir que preciso de um conselho, ou quando alguns amigos me pedem pra enviar, eu envio com muito prazer. Eu também publico minhas histórias semanalmente no Wattpad e lá eu troco muitas experiências com os leitores, eles me dão muitos toques e incentivos. É uma interação bacana, não acho que substitua uma leitura beta crítica, mas tem lá suas vantagens.

Quanto tempo demora a escrever um livro?

Eu não sei precisamente quanto tempo levo, depende muito da história, do quanto ela exige de mim e do tempo que eu tenho. Mas geralmente é por volta de oito a nove meses (quase como ter um filho).

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Dedica quanto tempo à escrita por dia?

Tem dia que não dedico nada haha. Mas tem dia que eu passo cinco, seis, oito horas pra escrever um capítulo.

Como surgem as ideias para escrever um livro?

Normalmente eu tenho algum tipo de inspiração. O meu primeiro livro foi inspirado num filme, o segundo foi uma adaptação de um monte de ideias que eu já tinha em mente desde meus quatorze anos de idade, o terceiro a ideia veio dum jogo de RPG com as amigas. Tenho um projeto que estou escrevendo muito vagarosamente que foi inspirado numa música. A coisa toda é muito espontânea. Tenho histórias que já contam com spin-off e contos porque a minha mente não para.

Gosta de trabalhar em silêncio absoluto ou preferem ouvir música enquanto trabalham?

Depende muito do meu humor. Tem dia que eu quero escrever ouvindo música porque de certa forma me inspira também. Mas tem dia que eu quero silêncio absoluto ou quero me focar mais na escrita, e a música de certa maneira me tira a concentração (aquilo, estou escrevendo, mas de repente estou procurando a letra/tradução de determinada música rs). E tem dia que eu quero os dois. Às vezes estou ouvindo música, e dali a pouco eu cansei e quero silêncio; o contrário também acontece.

Das obras que escreveu, tem alguma que seja a favorita? Por quê?

Sim, tenho um amor muito em especial pelo meu segundo livro, acho que porque a história foge do clichê de romances com cafajestes. Modéstia à parte, não é todo dia que se vê um protagonista cafajeste como o meu. Por ser diferente, de certa forma é especial pra mim.

Se estivesse agora a começar a sua carreira como escritora, mudaria alguma coisa?

Sim, claro. Na verdade, estou mudando o tempo todo. Uma das minhas histórias foi completamente reescrita mais de um ano depois de terminada porque de repente não estava mais me agradando. Isso aconteceu porque eu amadureci no meu estilo de escrever, de narrar e conduzir a trama; a escrita é um processo de mudança e aprendizagem constante. Não importa quanto tempo de carreira um escritor tenha. Pode ser um ano como uma década. Ele sempre vai achar alguma coisa que mudaria nos seus livros.

Qual dos seus livros teve um maior sucesso?

Contrato de Casamento, que é um romance. Tive um retorno muito bacana no Wattpad, mais de 700k de leitura, e no Amazon, no primeiro mês de lançamento, o e-book chegou a ser o mais vendido na Loja Kindle e teve 1,5 milhão de leituras no Kindle Unlimited. Ironicamente, esse livro não é o meu livro favorito.

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Gostaria de ter seu livro publicado internacionalmente?

Claro. Se um dia isso acontecer, eu poderia morrer, pois morreria feliz. Haha.
Falando um pouco da vida profissional sem a escrita, você trabalha? Com o quê? Atualmente não estou trabalhando, mas tenho projetos de retomar minha faculdade de licenciatura em História e me formar. Depois de escrever, lecionar é a minha maior paixão.

Agora deixe uma mensagem para todos aqueles que já podem ser considerados seus fãs e aqueles que estão lhe conhecendo agora!

Aos meus fãs, (se é que tenho haha) eu quero agradecer de coração por todo incentivo que sempre me dão. A minha maior alegria nem é meus livros publicados ou não, mas vocês. Minhas histórias nem existiriam se não fossem por vocês que compram, leem, compartilham ou indicam as minhas histórias. Aos que estão me conhecendo agora, espero um dia poder compartilhar minhas histórias com vocês e, quem sabe, cativá-los e conquistá-los, trocar experiências com vocês. Críticas são sempre bem-vindas.
Uma dica para quem tem o sonho de publicar um livro: Ter paciência. Minha mãe sempre me diz que a pressa é a inimiga da perfeição. Por experiência própria, tenham paciência. Senão, o que é pra ser a maior realização de um sonho se torna uma grande dor de cabeça.

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Amanda, foi uma honra ter um pouco do seu trabalho aqui no blog! Lhe desejo sucesso em sua carreira!

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