Crítica | Dickinson – Apple TV+

Baseada na vida da escritora Emily Dickinson, a série mostra sua trajetória de uma maneira mais fantasiosa e estilizada. O que a diferencia dos outros escritores é que ela tem pensamentos progressistas demais para o século XIX, o que faz ela usar e abusar da sua imaginação para sair por cima da sociedade e da família.

Com um toque de humor sombrio e modernidade, mesmo que tudo aconteça no ano de 1850, a série é uma homenagem a essa famosa escritora que faz parte da história da literatura norte-americana. A protagonista é interpretada pela atriz e cantora Hailee Steinfeld, que atua ao lado de Toby Huss como Edward Dickinson, Jane Krakowski como Mrs. Dickinson, Anna Baryshnikov como Lavinia Dikinson, entre outros.

A produção tenta mostrar a elaboração de um drama completamente sem sucesso, além de fugir dos moldes optando por ser uma comédia, a série usa a imagem de Emily Dickinson (Hailee Steinfeld) como filtro para observar os dias atuais. Desde a primeira cena (e o primeiro palavrão), está claro que não se trata de uma biografia comum, mas sim de uma analogia fantasiosa. A aposta da Apple TV+ passeia pelo lúdico para observar a figura de tal pioneira artista, tentando adivinhar o que se passava em sua mente, construindo arcos a partir de seus enigmáticos poemas. Tudo isso com uma ambientação de época, mas usando linguagens e atitudes do século XXI. Por exemplo, a questão da sexualidade é algo comum na vida dos jovens protagonistas, ao mesmo tempo que Emily é proibida de publicar seus trabalhos por ser uma mulher.

Por vezes, os dramas de Emily podem parecer infantis demais, porém a maior parte deles consegue trazer algo tangível para o debate, perambulando entre seus mundos não tão opostos assim. Algo fútil como o desejo de ver o circo se torna uma metáfora de aceitação, cercada por uma critica sobre hipocrisia, capaz de tocar o espectador e ainda conversar com os dias atuais. Tudo isso para o episódio seguinte surgir com uma festa natalina, com direito a sátira de outra figura literária, numa ótima participação de Zosia Mamet. Inclusive, as escalações de Wiz Khalifa e John Mulaney em papéis inusitados são as cerejas do bolo, compondo ainda mais o aspecto politicamente incorreto. 

A série possui pouquíssimas partes com cenas realmente marcantes, o roteiro insiste em uma coisa monótoma e extremamente previsível. O final da série consegue ser de extremo desgosto, fazendo exatamente o oposto do que os telespectadores gostariam que ocorresse que desse uma ‘levantada’ no enredo, que é onde vemos que ela é apaixonada por sua melhor amiga. Durante toda trajetória da série este fato é evoluído de forma bastante intensa e romântica. Porém bem no final, a protagonista acaba casando com um menino um tanto grosso e deixa com que seu ‘amor’ se vá.

Em relação a imagem, as produções da Apple tv+ continuam com uma qualidade surreal para serem assistidas em dispositivos capacitados.

Leia também!

Satsuma Gishiden é uma OBRA PRIMA

Satsuma Gishiden é o novíssimo mangá trazido pela editora Pipoca e Nanquim, do renomado autor Hiroshi Hirata, vem comigo conferir se vale a pena ou não a compra!

The Office: A beleza está em todos os lugares

The Office é a série mais assistida do momento, venha conosco descobrir o porquê dela ser tão especial mesmo após 7 anos de seu fim.

Crítica | Onde os Demônios Habitam

Aos 17 anos Eric está para se formar no Ensino Médio. Sua vida em família é um Inferno. O pai, um estivador...

As Relações Perigosas: um dos livros mais diabólicos da literatura francesa que você precisa conhecer

Choderlos de Laclos apresenta uma trama repleta de intrigas que rendeu diversas adaptações para o cinema e até uma minissérie da Rede...