Crítica | C. J. Walker, a primeira mulher negra a se tornar milionária na história dos EUA

Além de contar com uma equipe de mulheres negras na produção, a minissérie será estrelada pela grande atriz Octavia Spencer, que dará vida à personagem principal. A direção é assinada por Kasi Lemmons e DeMane Davis, e nos roteiros, a parceria com Nicole Jefferson Asher é de A’Leila Bundles, jornalista e tataraneta de Walker.

Bundles é também autora da biografia que inspirou a minissérie, “On Her Own Ground”.

“Conheça a primeira mulher americana que construiu um império, rompeu barreiras, e ficou milionária”, diz o primeiro trailer da minissérie, lançado recentemente. A história de C. J. Walker, da pobreza absoluta à riqueza e ao sucesso, é contada em incrível produção Netflix.

Madam C.J. Walker nasceu filha de escravos, casou aos 18 anos para fugir da pobreza, era abusada pelo marido, foi abandonada quando seu cabelo começou a cair por causa de alergias e para viver, ganhava US$ 1,50 lavando roupas. Esse cenário parecia condenar uma mulher como ela a passar toda a vida apenas lutando para ter o que comer. Mas, contra todas as expectativas, Walker se tornou a primeira mulher negra a ser milionária nos Estados Unidos, no início dos anos 1900. Por isso, havia uma grande ansiedade a respeito de uma dramaturgia que fosse contar sua história. Porém, o início da minissérie A Vida e a História de Madam C.J. Walker destroi nossas esperanças logo em seus primeiros minutos.

A série/documentário conta com uma dura história da realidade vivida naquela época, apenas dois anos depois da abolição da escravidão.
Os negros eram rejeitados e subestimados e ficaram sem ter como arrumar empregos dignos ou pelo menos se sustentar. Trabalhavam horas exageradas para mal conseguirem se alimentar. Fato em que em nenhum momento é abordado na série, sendo de importantíssimo conhecimento do público.

Uma coisa que pode ser considerada muito incômoda, foram as cenas aleatórias das personagens principais em um ringue de luta usando luvas e se atacando. Cenas que tiraram bastante o foco principal da história de Madam C. J. Walker logo nos primeiros episódios. Logo após as cenas com musicais foram um tanto desconexos com a história, afinal de contas, não estamos falando de algo como high school musical mas de uma série/documentário baseada em fatos reais.

Mostrando-se ser uma série de época, a mesma usa diálogos extremamente atuais. A trilha sonora também não é bem caracterizada com a mesma, sendo apresentadas músicas com conceitos do século XXI e em momentos até mesmo sendo importunas para o momento de roteiro, os acontecimentos.

Uma coisa importante que tenho observado em outras críticas foi o fato de comentarem sobre ‘rivalidade feminina’, quando Madame decidiu abrir seus próprios negócios passando ‘por cima’ da mulher da qual ela lavava as roupas por misérias. Vale lembrarmos que a personagem branca destratou C. J. Walker de formas raciais com expressões do tipo “este negócio não é para você, as mulheres não querem se parecer com você, mas sim comigo”. Madame Walker pegou os produtos da mesma, os vendeu com mais velocidade, e entregou o dinheiro a sua patroa, mostrando-se 100% capaz de fazer vender igual ou até melhor. Mesmo assim a mulher a destrata e a humilha. O que C. J. Walker fez foi não ficar abaixo, subordinada. Sabendo de sua capacidade a mesma abriu seu próprio negócio e tornando-se uma concorrente voraz.

O final da série consegue dar uma reviravolta e se tornar um tanto emocionante, a forma da qual Madame C. J. Walker tem o desejo de deixar o seu legado se torna inspirador. Pelo menos no final, último episódio, podemos dizer que o nível subiu consideravelmente.

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