Cinema em declínio

A indústria cinematográfica, assim como muitas outras, sofreu um impacto gigantesco com a pandemia do covid-19, os cinemas do mundo inteiro ficaram sem exibições por meses com algumas poucas salas reabrindo com orientações da OMS (Organização mundial da saúde) nos meados de agosto e início de setembro, e isso obviamente atrasou muitas produções que tiveram que serem paralisadas e as que já estavam prontas para as telonas tiveram que ser adiadas, e isso preocupou não só nós fãs de cinema como também profissionais dentro da própria indústria, com produções multimilionárias que poderiam nem ao menos se pagar.

Essa indústria que vinha em progressão estratosférica faturando em 2019 mais de 11U$ bilhões, no “maravilhoso” ano de 2020 faturou apenas 1.9U$ bilhão, o que tem gerado um murmúrio entre os cinéfilos, no que se transformará a indústria daqui para frente? A pandemia de 2020 criará uma nova forma econômica de produzir filmes? Acompanhe meu pensamento.

A indústria de streaming que se formou nos últimos 10 anos, vem ganhando cada vez mais força, serviços baratos que disponibilizam catálogos gigantescos de títulos para o público assistir do conforto de suas casas, a discussão sobre se este modelo de negócio substituiria os cinemas já vem acontecendo a muito tempo e apenas se intensificou durante a recente pandemia e o grande número de novos usuários dentro destas plataformas, entretanto, a recentemente explosão de empresas migrando para este sistema de negócio gerou a inevitável criação de exclusividades, conteúdos originais que servem para manter os usuários, mas o que podemos aprender dessas produções?

O Irlandês – Netflix

As grandes produções cinematográficas vem tendo seus investimentos apenas aumentando, a saga da Marvel que é a mais lucrativa da história do cinema, teve custos de produção beirando os 300U$ milhões e faturando bilhões, enquanto produções das plataformas de streaming tinham seus orçamentos bem menos exorbitantes, mas isto vem mudando com o passar do tempo.

Game of Thrones – HBO

Não sabemos estimativas de lucros em serviços de streaming, por serem serviços pagos eles não precisam divulgar seus números, mas podemos ter uma noção analisando a situação atual das grandes produções; Em 2015 a Netflix produziu seu primeiro longa original, “Beasts of No Nation” que teve um orçamento pequeno de 6 milhões (não pequeno para mim ou você leitor, pequeno para Hollywood :D), e com o passar dos anos, o valor e quantidade de suas produções originais só aumentou, com a plataforma lançando dezenas de conteúdos originais ano após ano, e seu maior orçamento até hoje? 200U$ milhões no seu próximo filme “The Gray Man”, duzentos milhões de orçamento é próximo do que a Disneyinvestiu em “Capitão América: Guerra Civil”, e em suas séries não é tão diferente tendo investido 130 milhões de dólares nas duas temporadas de “The Crown”, então o que podemos analisar disto é: O investimento certamente está valendo a pena.

A pergunta óbvia aqui é: Isto irá substituir o cinema? E a resposta é: Não.

O cinema não proporciona apenas o filme, ele proporciona uma experiência social-áudio-visual, segundo Steven Spielberg, em entrevista após suas críticas ao modelo de negócios da Netflix: “A experiência de ir no cinema deve ser preservada” a experiência de ir com amigos e familiares, comprar pipoca, assistir a filmes, se empolgarem juntos, rirem juntos, chorarem juntos, todos confortáveis e recebendo conteúdo com qualidade de imagem e som é exatamente o que o cinema proporciona para as pessoas, momentos de felicidades em conjunto, e isso, apesar de também ocorrer em casa na tela da tevê, não possui o mesmo impacto, mesmo com serviços de streaming nas casas das pessoas, a saudade de voltar ao cinema só aumenta, eu mesmo não aguento mais de saudade e acredito que você também, mas os recentes acontecimentos podem ter mostrado para os estúdios que se privar apenas para as telonas pode não ser a melhor escolha.

Trolls 2 – Universal

O filme “Trolls 2” que iria para os cinemas mas foi interrompido pela pandemia, teve sua estreia no streaming, e segundo a Universal, o filme foi muito bem, se pagando e lucrando, e o investimento em uma distribuição mundial é sim muito caro, mas para o streaming, não é tanto assim; Então o que poderia ocorrer na indústria? Ao meu ver, uma fusão.

Os filmes de menores orçamentos e que não chamam tanto público, deverão ser destinados ao streamingpois lá ele irá alcançar seu público de forma prática e sem ter que ocupar salas das redes de cinemas que poderiam estar projetando longas de maior alcance, e a transição das telonas para o streaming das grandes produções pode ocorrer com mais velocidade, dando ao público a estreia mundial nas telonas e logo nas semanas subsequentes o longa poderá ser transmitido nas plataformas, diminuindo o tempo padrão de 90 dias para o Blue ray e assim talvez arrecadando ainda mais faturamento, tanto nas telonas, quanto nas telinhas, assim teríamos nossas experiências memoráveis de ir ao cinema, e a oportunidade de reassistir as obras com mais calma no conforto de nossas casas.

Só nos basta esperamos que a situação mundial melhore e que as empresas façam suas jogadas, de qualquer forma, 2021 será um ano de mudanças para a indústria e eu estou bastante curioso.

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