Ajoelhado, esqueleto decapitado oferece evidências de costumes sacrificiais chineses antigos

Arqueólogos do centro da China descobriram um esqueleto decapitado ainda descansando em sua posição final de joelhos. Tais práticas foram sugeridas nos escritos chineses antigos, mas essa descoberta é mais uma prova desse rito de sacrifício específico.

A descoberta foi feita no local de Chaizhuang, em Jiyuan, na província chinesa de Henan, informou a Xinhua, a maior agência de notícias estatal do país. Arqueólogos do Instituto Provincial de Relíquias Culturais e Arqueologia de Henan e da Equipe Municipal de Relíquias Culturais de Jiyuan estão vasculhando o local desde 2019. Até o momento, eles conseguiram percorrer 6.000 metros quadrados em Chaizhuang.

O site remonta à dinastia Shang, que governou de 1600 aC a 1046 aC. O local produziu evidências de casas, poços de água, fogões, estradas e um número surpreendente de túmulos. Os arqueólogos também descobriram várias relíquias, como cerâmica, ossos, jóias e até evidências de frutos do mar e fogos de artifício, segundo a Xinhua.

A equipe também descobriu um poço de sacrifício com uma vítima decapitada ainda dentro. O esqueleto foi encontrado em sua posição final de joelhos, com o corpo voltado para a esquerda com os braços cruzados na frente. Olhando com muito cuidado para a foto, parece até que as mãos do indivíduo ainda estão juntas.

Esses restos sombrios estão fornecendo evidências cruciais dos costumes sociais e espirituais que estavam em vigor durante esse período.

Em particular, o esqueleto afirma uma suspeita prática da Dinastia Shang, na qual indivíduos sacrificados foram enterrados na posição vertical. As evidências encontradas em um local diferente, as Ruínas Yin, sugeriram o mesmo – especificamente, a descoberta de inscrições de ossos de oráculos com glifos descrevendo a prática.

Conhecidos na China como “Jiaguwen”, esses scripts, ou glifos, representam alguns dos primeiros personagens totalmente desenvolvidos na China antiga. Os glifos eram frequentemente gravados em ossos humanos e animais e até em conchas de tartaruga, relata a Xinhua.

É importante ressaltar que um pedaço de osso de oráculo com o glifo “Kan” foi encontrado no local de Chaizhuang, um símbolo associado ao sacrifício de pessoas ou gado em poços, relata a Xinhua.

“Esse osso humano bem preservado tem o formato da inscrição do osso oráculo do personagem ‘Kan’”, explicou à Xinhua Liang Fawei, líder do projeto de escavação do local de Chaizhuang.

Durante o período da dinastia Shang, os roteiros “Ela”, “Shi”, “Tan” e “Kan” foram usados ​​para denotar atividades de sacrifício realizadas em diferentes rituais, com Kan representando enterros em posição vertical, explicou Liang à Xinhua. O glifo de Kan era um tanto estranho, dadas as evidências arqueológicas predominantes, já que os sacrifícios humanos foram encontrados principalmente deitados.

A recente descoberta do esqueleto ajoelhado é mais uma prova dessa prática de sacrifício, que pode ter sido comum, dado o glifo dedicado. Como sempre, no entanto, mais evidências na forma de enterros semelhantes e mais ossos de oráculo ajudariam a fortalecer esse argumento.

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